sexta-feira, 1 de julho de 2016

O país desconfia das “boas intenções” de Renan



O senador Renan Calheiros (foto) (PMDB-AL), o homem dos 11 inquéritos que tramitam no Supremo Tribunal (STF), de uma hora pra outra quer que o Senado discuta um projeto de autoria do atual ministro da Defesa, Raul Jungmann, do ano de 2009, que atualiza a Lei de Abuso de Autoridade de nº 4.898 do ano de 1965.

Nada contra uma lei que pune o abuso da autoridade, mas, o que causa espécie é o momento em que o presidente do Senado, Renan Calheiros, como que ressuscita um projeto polêmico que atualiza uma Lei de Abuso da Autoridade.

O senador Renan Calheiros que teve um pedido de prisão contra ele pedido pelo Procurador-Geral da República (PGR), Rodrigo Janot ao STF e que a partir desse pedido resolveu retaliar o PGR ao ameaçá-lo com o recebimento de pedidos de impeachment.       
Contra o juiz Sérgio Moro, contra os procuradores da república, contra a Polícia Federal (PF) não estão só o presidente do senado, mas todos aqueles que estão sendo investigados pela Operação Lava Jato e que já foram denunciados pelo Procurador-Geral da República.

A discussão dessa lei não pretende aprimorá-la, mas inibir as ações dos delegados, dos juízes e dos procuradores da república que atuam na Operação Lava Jato e no combate à corrupção.

Temer 'teme' Cunha


Cunha peita Temer e o petista Wadih Damous vibra ao lado
O ‘encontro clandestino’ entre Temer e Cunha aconteceu por livre e espontânea pressão do deputado. Temer treme nas bases só em pensar no estrago que Cunha poderá provocar no seu governo.

Que o deputado federal afastado Eduardo Cunha é um arquivo vivo ambulante, disso o Brasil esclarecido todo sabe. Que Cunha sabe dos pobres dos integrantes da cúpula do PMDB e do núcleo duro do governo provisório de Temer, também. São essas certezas que levam a maioria do povo brasileiro a desconfiar do interesse do Palácio do Planalto em querer livrar o presidente afastado da Câmara Federal, pelo menos da cassação do seu mandato. 

O encontro reservado ou encontro clandestino, entre Cunha e Temer é bastante elucidativo sobre o interesse dos peemedebistas e tucanos em salvar um político réu em 
A jornalista Natuza Nery, editora da coluna Painel do jornal Folha de S. Paulo diz na sua coluna no dia de hoje, que o PSDB não pretende colaborar com o sacrifício de Cunha, por considerar relevantes os serviços prestados por esse deputado na abertura do processo de impeachment da presidenta afastada Dilma Rousseff. O PSDB sempre o mesmo.

No âmago do poder central em Brasília, todos temem a ira e a revolta de um político que sabe muito sobre o PMDB, sobre as negociações que levaram Dilma Rousseff a ser afastada da presidência da república. Se Cunha abrir a boca, o governo Temer desmorona e muitos políticos de grosso coturno sucumbirão com ele. 

quinta-feira, 30 de junho de 2016

A poesia segundo Vespasiano Ramos



Cruel

Ah, se as dores que eu sinto ela sentisse,
se as lágrimas que eu choro ela chorasse;
talvez nunca um momento me negasse
tudo que eu desejasse e lhe pedisse!

Talvez a todo instante consentisse
minha boca beijar a sua face,
se o caminho que eu tomo ela tomasse,
se o calvário que eu subo ela subisse!

Se o desejo que eu tenho ela tivesse,
se os meus sonhos de amor ela sonhasse,
aos meus rogos talvez não se opusesse!

Talvez nunca negasse o que eu pedisse,
se as lágrimas que eu choro ela chorasse
e se as dores que eu sinto ela sentisse! . . .


Samaritana

Piedosa gentil Samaritana:
Venho, de longe, trêmulo, bater
À vossa humilde e plácida cabana,
Pedindo alívio para o meu viver!

Sou perseguido pela sede insana
Do amor que anima e que nos faz sofrer:
Tenho sede demais, Samaritana
Tenho sede demais: quero beber!

Fugis, então, ao mísero que implora
O saciar da sede que o consome,
O saciar da sede que o devora?

Pecais, assim, Samaritana! Vede:
- Filhos, dai de comer a quem tem fome,
Filhos, dai de beber a quem tem sede.

Joaquim Vespasiano Ramos, nasceu em Caxias (MA) no dia 13 de agosto de 1884, passou seus últimos dias na então vila de Porto Velho, Comarca de Humaytta, Estado do Amazonas, hoje município de Porto Velho, capital do Estado de Rondônia e faleceu nesse estado da região Norte.

De Estância e Saudades - LUIZ MARENCO


Temer não tem vocação para estadista




Embora o país conheça de ‘cor e salteado’ o PMDB e o seu presidente por quase duas décadas, Michel Temer (foto), ele esperava que o governo interino do PMDB ousasse governar com base na meritocracia, para que o povo brasileiro passasse a confiar no presidente provisório e no seu partido.
  
Mas, pela escolha dos novos ministros e a consequente desmoralização do governo do PMDB com a demissão de três ministros em menos de um mês, sob a acusação de envolvimento com malfeitos (corrupção) e mais recentemente com o anuncio de um pacote de bondades anunciadas por esse novo governo, o que compromete a saúde financeira do país, o pouco de prestígio que Temer ainda gozava junto ao povo brasileiro, evaporou-se. É que ficou por demais evidente que o PMDB e Temer não estão pensando no país, mas única e exclusivamente em permanecer no poder. 

E tudo leva a crer que a situação de Temer tende a ficar cada vez mais pior, haja vista, a cúpula do PMDB está quase toda ela, sujeita a ser presa pela Operação Lava Jato. O Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, já pediu a prisão do presidente do Senado, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), do presidente afastado da Câmara Federal, deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ), do senador Romero Jucá (PMDB-RR) e do ex-presidente da república, José Sarney, um peemedebista aposentado, mas ainda muito influente na cena política nacional e o nome do próprio presidente interino já apareceu em duas ou três delações premiadas.

A situação de Temer e do seu governo é periclitante.

O fim da reeleição também para os partidos



A criatura e o seu criador

Quando da reforma política, que deverá acontecer em algum momento, ela deve principiar pelo fim da reeleição do político ocupante de uma vaga no Poder Executivo e no Poder Legislativo. Mas essa reforma deverá avançar no sentido acabar também com a reeleição do partido. O que evitaria a continuidade de um projeto de poder, como aconteceu com a eleição da presidenta Dilma Rousseff.

Em 2010 Lula não pode se candidatar para um terceiro mandato, mas usou o seu enorme prestigio e a máquina do estado para eleger sua criação e invenção, Dilma Rousseff. Assim como tentou FHC eleger o seu escolhido em 2002, não logrando êxito, por força da situação econômica difícil que o país atravessava naquele momento.

Fazer o seu sucessor na política brasileira é uma questão de honra e também de sobrevivência política, uma vez que o candidato eleito com o apoio do prefeito, governador e presidente da república, tem o dever moral de trabalhar futuramente para devolver o poder a quem lhe concedeu um mimo, leia-se, um mandato.

Por Irwing Maranhão